Os encontros do grupo de estudos tem complementado algumas aprendizagens que tive durante a minha formação em licenciatura no Instituto de Artes, da UFRGS. Os textos lidos aprofundaram a questão do Moderno e do Pós-Moderno. Fiz relações com outros textos que li, bem como, com a sociedade e com o mundo. Algumas reproduções de obras de arte que vimos foram significativas, como as que remetiam a questões femininas e as que remetiam a questões de identidade e anonimato. A Arte Contemporânea traz questões que se relacionam com a vida e o cotidiano dos nossos alunos, não podemos esquecer que ela é o reflexo do nosso mundo e do nosso tempo.
O professor Paulo Gomes uma vez disse em aula, na disciplina de Introdução à Arte: "O artista produz conforme o seu tempo, então, a arte é o reflexo do momento em que o artista vive". Portanto, é a forma de como o artista se relaciona com a sua época. Acredito que sempre foi assim, se pensarmos na Pré-História, o homem pintava as paredes das cavernas num processo de ritual, de crença em depositar seu pensamento no objeto de seu desejo (a sua futura caça). No Antigo Êgito, o homem representava cenas de seu cotidiano, em seus templos, bem como, suas crenças. Na Grécia Antiga, não era muito diferente, acrescentando a isso um ideal de beleza. A partir daí, muda-se as épocas, as concepções de arte e, posteriormente, as formas de fazer arte, fala-se até em morte da arte. Claro, estou encurtando um tanto a História da Arte, para chegar à Arte Contemporânea, que é o foco do grupo de estudos. O processo de ensinar os alunos em relação a esse assunto está aí, em ensinar os alunos a Arte Contemporânea, trazendo para eles um panorama bem construído da História da Arte, para mostrar como e por que a arte chegou ao que vemos hoje (questionamentos do que é ou não arte).
São inúmeras as relações que podem ser feitas entre a Arte Contemporânea e a vida dos alunos, que vão desde aspectos físicos da obra de arte até aspectos psicológicos que essa traz. Tratando-se de aspectos físicos tem materiais que remetem a moradia dos alunos e a objetos que tem em suas casas. Quanto aos aspectos psicológicos, pode-se exemplificar ao se pensar nas reproduções que vimos, em um de nossos encontros, que tratava a respeito da sensibilidade feminina (colocado na resenha de Simone Fogazzi: Arte Contemporânea no Brasil, que mostrou as tendências de Arte Contemporânea, descritas no livro Novíssima Arte Brasileira, de Kátia Canton). O universo feminino visto na concepção de domesticidade é algo que pode ser trabalhado e relacionado ao cotidiano dos alunos, trazendo discussões como: Todas as mulheres, de todos os lugares podem se considerar livres hoje? Porque a palavra domesticidade, lembra a questão do trabalho no lar e, ao mesmo tempo, lembra a domesticação de animais, o adestramento.
A questão da identidade e do anonimato pode se relacionar com as vivências dos alunos na escola, alguns se destacam mais, são populares que outros que parecem procurar se esconder no anonimato. São como uma das reproduções que vimos, que se tratavam de vários retratos (fotos de identidades), alguns eram mais apagados que outros que apareciam bem fortes e todos estavam colocados em uma parede uns ao lado dos outros, alguns em cima e outros em baixo. Era uma multidão de rostos e cabeças, como nós professores estamos acostumados a ver em sala de aula, várias cabeças e rostos na sala de aula. As relações estão aí, podem ser feitas de várias formas, algumas leituras das obras são mais simples e outras são mais complexas, depende da interpretação de cada um.
Os textos que lemos trouxeram alguns desses pensamentos à tona. Além disso, os relacionei com textos como: A sociedade do espetáculo, de Guy Debord, escrito na década de 60, (esse texto até foi mencionado no texto Para entender o pós-modernismo, de Raymundo de Lima, que lemos para um de nossos encontros). A reportagem Paradoxos da arte contemporânea (Zero Hora, Porto Alegre: sábado, 31 nov. 2007), que comenta a dificuldade de entender os trabalhos de Arte Contemporânea expostos na VI Bienal do Mercosul. E, o texto Escapando da amnésia - O museu como cultura de massa (HUYSSEN, 1997, 222-255), que trata do museu visto pela pós-modernidade, bem como, era visto na modernidade, o que complementa o texto de Raymundo de Lima).
O que ficou dessas leituras é que apesar das diferenças entre o "modernismo: imagens de máquinas - as indústrias - e o pós-modernismo: máquinas de imagens - televisão, computador, Internet e shopping center -" (segundo Perry Anderson, citado no texto de Raymundo de Lima), pode-se dizer que sem o modernismo o pós-modernismo não existira. Isso porque uma coisa está ligada a outra, ou seja, o modernismo culminou no pós-modernismo. O que houve é que antes se tinha a indústria como foco e, depois, tem-se o que é produzido por ela como o centro das atenções. As causas são uma sociedade voltada para o espetáculo, esse leva ao consumo desenfreado, que leva a outras questões como: a inversão de valores (o que é material é considerado mais valioso do que qualquer coisa, inclusive a própria vida), a violência gerada pela busca de dinheiro fácil para o consumo. Além disso, tem-se o crescimento populacional, o desemprego, a fome, a miséria em decorrência do avanço tecnológico, das políticas de globalização e o neocapitalismo. Nem tudo é tão ruim assim, porque hoje temos conforto, certa liberdade (dentro dos limites previstos na nossa constituição). A liberdade de que falo é: a de expressão, a da mulher de poder trabalhar fora de casa, de ser respeitada por suas idéias e de poder até concorrer a cargos políticos, o que em outros tempos era considerado algo execrável. Acredito que esse foi a conquista mais importante para nós mulheres.
Enfim, espero que o grupo traga mais questões a serem tratadas com nossos alunos em sala de aula. Mantenho minhas idéias abertas a novas concepções, estou em constante transformação. Como dizia Raul Seixas: "prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo". E estou ansiosa a espera do nosso próximo encontro.
O professor Paulo Gomes uma vez disse em aula, na disciplina de Introdução à Arte: "O artista produz conforme o seu tempo, então, a arte é o reflexo do momento em que o artista vive". Portanto, é a forma de como o artista se relaciona com a sua época. Acredito que sempre foi assim, se pensarmos na Pré-História, o homem pintava as paredes das cavernas num processo de ritual, de crença em depositar seu pensamento no objeto de seu desejo (a sua futura caça). No Antigo Êgito, o homem representava cenas de seu cotidiano, em seus templos, bem como, suas crenças. Na Grécia Antiga, não era muito diferente, acrescentando a isso um ideal de beleza. A partir daí, muda-se as épocas, as concepções de arte e, posteriormente, as formas de fazer arte, fala-se até em morte da arte. Claro, estou encurtando um tanto a História da Arte, para chegar à Arte Contemporânea, que é o foco do grupo de estudos. O processo de ensinar os alunos em relação a esse assunto está aí, em ensinar os alunos a Arte Contemporânea, trazendo para eles um panorama bem construído da História da Arte, para mostrar como e por que a arte chegou ao que vemos hoje (questionamentos do que é ou não arte).
São inúmeras as relações que podem ser feitas entre a Arte Contemporânea e a vida dos alunos, que vão desde aspectos físicos da obra de arte até aspectos psicológicos que essa traz. Tratando-se de aspectos físicos tem materiais que remetem a moradia dos alunos e a objetos que tem em suas casas. Quanto aos aspectos psicológicos, pode-se exemplificar ao se pensar nas reproduções que vimos, em um de nossos encontros, que tratava a respeito da sensibilidade feminina (colocado na resenha de Simone Fogazzi: Arte Contemporânea no Brasil, que mostrou as tendências de Arte Contemporânea, descritas no livro Novíssima Arte Brasileira, de Kátia Canton). O universo feminino visto na concepção de domesticidade é algo que pode ser trabalhado e relacionado ao cotidiano dos alunos, trazendo discussões como: Todas as mulheres, de todos os lugares podem se considerar livres hoje? Porque a palavra domesticidade, lembra a questão do trabalho no lar e, ao mesmo tempo, lembra a domesticação de animais, o adestramento.
A questão da identidade e do anonimato pode se relacionar com as vivências dos alunos na escola, alguns se destacam mais, são populares que outros que parecem procurar se esconder no anonimato. São como uma das reproduções que vimos, que se tratavam de vários retratos (fotos de identidades), alguns eram mais apagados que outros que apareciam bem fortes e todos estavam colocados em uma parede uns ao lado dos outros, alguns em cima e outros em baixo. Era uma multidão de rostos e cabeças, como nós professores estamos acostumados a ver em sala de aula, várias cabeças e rostos na sala de aula. As relações estão aí, podem ser feitas de várias formas, algumas leituras das obras são mais simples e outras são mais complexas, depende da interpretação de cada um.
Os textos que lemos trouxeram alguns desses pensamentos à tona. Além disso, os relacionei com textos como: A sociedade do espetáculo, de Guy Debord, escrito na década de 60, (esse texto até foi mencionado no texto Para entender o pós-modernismo, de Raymundo de Lima, que lemos para um de nossos encontros). A reportagem Paradoxos da arte contemporânea (Zero Hora, Porto Alegre: sábado, 31 nov. 2007), que comenta a dificuldade de entender os trabalhos de Arte Contemporânea expostos na VI Bienal do Mercosul. E, o texto Escapando da amnésia - O museu como cultura de massa (HUYSSEN, 1997, 222-255), que trata do museu visto pela pós-modernidade, bem como, era visto na modernidade, o que complementa o texto de Raymundo de Lima).
O que ficou dessas leituras é que apesar das diferenças entre o "modernismo: imagens de máquinas - as indústrias - e o pós-modernismo: máquinas de imagens - televisão, computador, Internet e shopping center -" (segundo Perry Anderson, citado no texto de Raymundo de Lima), pode-se dizer que sem o modernismo o pós-modernismo não existira. Isso porque uma coisa está ligada a outra, ou seja, o modernismo culminou no pós-modernismo. O que houve é que antes se tinha a indústria como foco e, depois, tem-se o que é produzido por ela como o centro das atenções. As causas são uma sociedade voltada para o espetáculo, esse leva ao consumo desenfreado, que leva a outras questões como: a inversão de valores (o que é material é considerado mais valioso do que qualquer coisa, inclusive a própria vida), a violência gerada pela busca de dinheiro fácil para o consumo. Além disso, tem-se o crescimento populacional, o desemprego, a fome, a miséria em decorrência do avanço tecnológico, das políticas de globalização e o neocapitalismo. Nem tudo é tão ruim assim, porque hoje temos conforto, certa liberdade (dentro dos limites previstos na nossa constituição). A liberdade de que falo é: a de expressão, a da mulher de poder trabalhar fora de casa, de ser respeitada por suas idéias e de poder até concorrer a cargos políticos, o que em outros tempos era considerado algo execrável. Acredito que esse foi a conquista mais importante para nós mulheres.
Enfim, espero que o grupo traga mais questões a serem tratadas com nossos alunos em sala de aula. Mantenho minhas idéias abertas a novas concepções, estou em constante transformação. Como dizia Raul Seixas: "prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo". E estou ansiosa a espera do nosso próximo encontro.
Nenhum comentário:
Postar um comentário