Com certeza planejar envolve muitas variáveis. Antes de qualquer coisa é necessário que saibamos quem é o aluno com o qual vamos trabalhar e os seus interesses no mundo e na arte.É necessário, ainda, que saibamos algo de suas vivências a fim de de que possamos encaminhar um planejamento que contemple seus interesses. Como trabalhamos com um grupo considerável de jovens há que se fazer um planejamento aberto e sujeito a ser modificado quando se fizer necessário no decorrer do trabalho.
Penso que o mais importante é que ao colocarmos os jovens em contato com as imagens da arte - de qualquer tipo, eruditas ou não - façamos antecipadamente uma curadoria apurada especificando um fio condutor que permeie as leituras. Neste momento podemos contemplar os intertextos que podemos explorar ampliando conhecimentos de várias ordens: sociais, políticos, de identidade, de gênero, de forma etc...Os conteúdos emanam das próprias leituras e tempos envolvidos nas imagens, bem como das contribuições trazidas pelos jovens. Ao trabalharmos com adolescentes podemos explorar o seu evidente interesse pelo corpo e a imagem, inserindo um estudo focado em um artista contemporâneo como Tunga.
Por exemplo, caso estejamos fazendo a leitura das Xifópagas Capilares de Tunga, estaremos entrando em pormenores relacionados às identidades das pessoas as marcas impressas nos cabelos e como esse é utilizado pelo artista como matéria; pode ser feita relação com outras obras do próprio autor ou não, estaremos trazendo conhecimentos sobre o artista que em seus trabalhos tenta extrair sentidos simbólicos de situações que se desviam da normalidade. Suas obras se referem umas às outras. O próprio artista descreve seu trabalho como "um conjunto de trabalhos; onde um sempre leva ao outro, como se entre eles existisse um ímã". Este caráter auto-referente é enfatizado no vídeo Nervo de Prata (1987), feito em parceria com Arthur Omar (1948) - filme que até alguns anos atrás era disponibilizado pelo Projeto Arte na Escola em vídeo. No filme, as obras repercutem umas nas outras, constituindo um universo à parte.Tunga, em 1989, definiu seu projeto estético como: "redefinir a escultura já não só como o volume estático, mas também como o agrupamento destas formas em expansão e a relação entre elas".
Seria importante, ainda, que se fizesse um histórico mínimo sobre o artista:
Nome, Antonio José de Barros Carvalho e Mello Mourão ou Tunga, como ficou conhecido mundialmente, é um artista brasileiro nascido em 1952 em Pernambuco. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1974, onde cursou Arquitetura, atuando, porém, como artista plástico após se formar, ganhando diversos prêmios durante as décadas de 80, 90, que impulsionaram sua carreira.Sendo um dos artistas contemporâneos mais conhecidos e elogiados atualmente, Tunga já fez exposições nos principais museus e galerias de todo mundo, incluindo o MoMA em Nova York, o Louvre em Paris entre tantos outros.Suas obras que mais se destacam são geralmente esculturas e performances, que levam sua marca em acabamentos perfeitos, demonstrando sua grande dedicação no desenvolvimento de seus projetos.
Sobre o trabalho de Tunga há dois pontos a se ressaltar: a sua pesquisa e o processo de desenvolvimento. Seus trabalhos tem como início, muitas vezes, fatos cotidianos, acontecimentos da sua vida ou a relação entre duas coisas diferentes. Um caminho comum também é a sua relação com outras áreas de conhecimento, como a literatura, filosofia, química e biologia que servem de alimento de pesquisa para suas obras. É nessa construção de relações que os trabalhos de Tunga são criados.Ainda como conteúdos emanados do processo de leitura das imagens pode ser inserido o contexto todo da arte contemporânea e suas características. Enfim, muito mais se pode trabalhar a partir da escolha do material visual.
24 de Abril de 2009 21:34
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