


A partir de um comparativo entre as imagens selecionadas, duas pequenas esculturas (ou estatuetas) produzidas no vale do Jequitinhonha por Mestre Vitalino (Caruaru-PE), e a escultura O Pensador, de Rodin, podemos seguir por vários caminhos ou ramificações, que é o objetivo do raciocínio rizomático, e um deles é a própria diferença de tratamento dado a esses objetos de arte e que pode se tornar o grande gancho para uma discussão em sala; poderão ser levantados junto aos alunos vários aspectos que irão desde os elementos formais às reflexões sócio-culturais e econômicas. Podemos instigá-los utilizando aquelas perguntas mais básicas do tipo: o que estas imagens traduzem para vocês? Qual imagem é mais agradável ou mais bonita? Por quê? Provavelmente dirão que as figuras do Mestre Vitalino lembram uma arte mais primitiva, representando cenas comuns do cotidiano e do lendário regional e irão preferir a imagem de Rodin justificando ser mais perfeita ou mais fiel à figura humana, de proporções corretas, melhor acabamento, enfim, poderão até desprezar as outras imagens por serem muito simplórias e as descaracterizarem como Arte. Daí a coisa melhora no sentido de impulsionar a discussão. Então nós ressaltamos para eles o preconceito existente com a arte popular, e que a cerâmica já foi considerada “arte menor”; podemos também traçar paralelos entre o que é arte e o que é artesanato, devemos mostrar a importância de se valorizar a cultura popular, podemos trabalhar as culturas regionais do Brasil, para que possam conhecer os diferentes elementos que as compõem em função das várias raças, ou melhor, etnias que formam o nosso povo e da própria localização geográfica. Disso, acredito, vai resultar um trabalho bastante rico, até porque vai envolver muitas questões que farão links com outras áreas de conhecimento como a geografia, história, sociologia, etc. Poderá surgir, também, a questão do valor das obras; porque Rodin, Picasso, Cézanne e outros são mundialmente conhecidos e importantes? Por que suas obras adquiriram valores astronômicos? Por que artistas brasileiros, com raras exceções, não têm toda essa projeção no cenário mundial? E assim por diante, que tipo de arte é mais próxima ou acessível a eles? Por esses caminhos iremos criando oportunidades para que conheçam o que se passa por trás do sucesso de um artista-seu processo criativo, Rodin, no caso, e saibam das dificuldades que enfrentou como a reprovação na Escola de Artes, a rejeição de suas obras que eram consideradas polêmicas, mas que chegou à consagração, conhecerão também a trajetória de dificuldades de um artista do povo, a sua realidade, a realidade da maioria dos brasileiros. Isso deve dar bastante “pano pra manga”.
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