04/05/2011




A partir da leitura do artigo, proposta por Simone, tenho a registrar a minha crença na necessidade do trabalho na modalidade de projetos.


Zabala, Hernández, Freire e outros tantos pensadores da arte-educação destacam e incentivam essa modalidade de trabalho por acreditar na sua eficácia, no que ela realmente vem a contribuir para o desenvolvimento do aluno na arte e na vida, pois é de suma importância que todo e qualquer projeto parta de uma necessidade dos sujeitos aos quais se destina. É necessário, também, que o mesmo seja constantemente objeto de análise para se avaliar todos os passos e ações que se venha a desenvolver, a fim de torná-las coerentes e significativas como objeto de reflexão, avaliação e se preciso, replanejamento. No caso de um projeto de artes, este acompanhamento se faz a partir da identificação do grau de interesse e envolvimento das pessoas que dele participam.


Mirian Celeste e Giza Picosques preveem algumas etapas na elaboração de um projeto, tais como: uma avaliação iniciante, que centra-se nas necessidades do grupo a ser atendido e pode ser realizada a partir de uma conversa, detectando as necessidades e interesses deles no campo das artes . A segunda parte do trabalho pode ser nomeada como a do encaminhamento de ações – levantamento de propostas possíveis - e a terceira e última parte do projeto é a sistematização. Nesta etapa apresentam-se, nos produtos finais dos alunos, o conhecimento construído, os pareceres sobre as criações, as dificuldades enfrentadas no processo de trabalho e as soluções encontradas. Há aí a emissão de juízos. Nessa etapa faz-se, juntamente com o grupo de alunos, uma avaliação do processo desenvolvido, buscando propiciar a tomada de consciência do que foi realizado e o quanto essas ações e reflexões acrescentaram às vivências dos envolvidos no projeto, bem como a significação deste para a vida de cada um. Neste momento os alunos passam a emitir o que podemos chamar de juízos críticos reflexivos tal como Emanuel Kant (1993) enfoca,


[...] a comunicabilidade universal de um prazer já envolve em seu conceito que o prazer não tem de ser um prazer do gozo a partir de simples sensação, mas um prazer da reflexão; e assim a arte estética é, enquanto arte bela, uma arte que tem por padrão de medida a faculdade de juízo reflexiva e não a sensação sensorial.


Coerentemente com a citação do pensamento de Kant, os juízos emitidos pelos alunos frente produções realizadas, não serão apenas fundamentados no gosto, na sensação mas, também, na reflexão. A forma como analisarão suas ações e as soluções encontradas irão se basear em conhecimentos construídos, a partir da experimentação, construção e reconstrução. Não se trata de conjectura vazia, mas de certeza. Todo esse conjunto de ações é de vital importância para o desenvolvimento do pensamento criador e de uma ação criativa no mundo. Eis aí a importância dos projetos de trabalho que podem e devem ser conectados com outras disciplinas do currículo, pois se assim forem realizados desencadearão vivências significativas.


Abaixo anexo algumas fotos de meus alunos apresentando suas criações em um projeto denominado SAPATOS E CHAPÉUS.

Até o próximo encontro, abraços,

Ana Laura














2 comentários:

Marines disse...

Nossa! Que explanação excelente.
Parabéns Ana Laura pela reflexão rápida, clara para ti e no mínimo instigante para mim. Instigante para que eu reflita, para que eu pesquise,
Um Abraço

Ana Laura Frota disse...

Oi Marines! É assim mesmo, essa é uma das pedagogias mais eficientes para o trabalho com a arte.
Bjs