14/09/2008

No que a arte contribui para o desenvolvimento da criatividade?

Em primeiro lugar necessitamos saber o que é criatividade, um conceito difícil de se definir. Ninguém sabe com certeza o que seja. O certo é que está intimamente ligada ao pensamento e no fazer humano.
A partir do filme 2001, Uma Odisséia no Espaço, podemos entender, talvez, o que seja um ato criador, quando o macaco descobriu que o osso poderia ser utilizado, não só como alimentação, mas como arma, para agredir, para bater... Usou um elemento já existente na natureza para outra finalidade. E isso lhe conferiu uma nova experiência.
Koester diz que quanto mais experiências o ser humano tiver, mais rica será sua capacidade criadora.
Juan Mosquera afirma que:”a criatividade não nasce simplesmente de uma experiência única,mas, na medida em que a pessoa vive experiências diferentes, torna-se mais rica potencialmente. É mais capaz de criar, de se projetar. A criatividade, para exteriorizar-se exige que a pessoa não pense apenas em uma determinada situação. É um produto de pensamento. O indivíduo precisa utilizar seu complexo raciocínio e intuição em diferentes planos , ou seja, sondar as variadas possibilidades de vida. Uma pessoa que fica só num plano torna-se rotineira e, conseqüentemente, não será criadora. Para ser criadora, precisa rejeitar o óbvio – embora trate de compreende-lo. Também será criadora, aquela que encontrar mais de uma solução para cada problema.”
Ainda Mosquera: “ A criatividade nasce do estado de constante insatisfação e de contínua opção. Não se trata ainda de criatividade artística, mas de criatividade em sentido geral. ... Para nos tornarmos inovadores, precisamos estabelecer novas matrizes de pensamento. A pessoa altamente criadora é altamente versátil no pensar. ...Pensar é incômodo. As pessoas não têm tempo para pensar. O mundo já dá quase tudo feito, pensado, desde aquilo que a pessoa deve comer, até aquilo que deve usar... Mas as grandes inovações não nascem disto. Nascem da revolta do indivíduo contra o habitual.
A criatividade significa a derrota do hábito pela originalidade.
A criatividade apresenta algumas fases reconhecíveis: a curiosidade– o indivíduo quer ver e quer sentir; por outro lado, é preciso que ele tenha pensamento flexível e que sua vida não seja dominada por hábitos”.
Fayga Ostrower escreve:”Nas crianças, a criatividade se manifesta em todo seu fazer solto, difuso, espontâneo, imaginativo, no brincar, no sonhar, no associar, no simbolizar, no fingir da realidade e que no fundo não é senão o real. Criar é viver, para a criança”.
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Na escola em que trabalho, reconstruindo o PPP, os professores traçaram, como uma das características do perfil dos alunos, a falta de criatividade...
Refletindo sobre o que li, penso que nós, como professores de arte, e não só os de arte, temos o dever de oferecer aos nossos alunos o maior número de experiências de sensibilização que ampliem seus horizontes, atividades inovadoras e, também, técnica, para que o aluno ao ser colocado em uma situação desafiadora tenha condições de solucionar o problema que lhe é apresentado, para poder criar.


“Criar é tão difícil ou tão fácil como viver. E é do mesmo modo necessário.”
( Fayga Ostrower)

Um comentário:

Marines disse...

Eu estava ansiosa por ouvir alguém, obrigada Marília!
Gostei muito do que escrevestes sobre a criatividade.
Gosto muito quando ouço alguém falar em criatividade, pois isso remete sempre ao nosso "pensar": como é ou como seria o processo criativo de uma pessoa.
Também "vou correr atrás", para saber mais sobre estes dois pensadores citados, pois não sei nada sobre eles(Koester,Juan Mosquera),ao menos não estou lembrando.
É importante como professores, que não percamos o foco dos acontecimentos pontuais, pesquisando quando não soubermos, informando-nos sobre as vivências dos alunos na sala de aula e no dia a dia, para sabermos como lidar com eles, como poderemos instigá-los ao saber , ao aprender.
Um grande abraço Marília.