A arte, em seus diversos segmentos, representa formas de expressão criadas pelo ser humano como possibilidades diferenciadas de dialogar com o mundo. Assim sendo, a necessidade de incluí-la na formação de crianças e adolescentes, não apenas em questões relativas ao acesso e à apropriação da produção existente, como também na organização da escola como espaço de criação estética. Neste contexto, a arte constitui-se como experiência estética e humana, como área de conhecimento que tem seus conteúdos próprios.
Considerando que o marco referencial de reflexão e produção de saberes é o próprio cotidiano escolar e a necessidade de romper com a fragmentação existente nas práticas pedagógicas, a arte volta a ser, digo volta, pois, desde Platão, já era vista, discutida e analisada como instrumento construtivo do saber. Assim, entende-se que o trabalho com a arte deverá continuar desenvolvendo ações necessárias para garantir seu estudo e implementação efetiva como área de conhecimento e que se construa sua identidade como componente curricular.
Dentro desse panorama, pensar e executar ações pedagógicas no ensino da arte, bem como, estabelecer um currículo mínimo é tarefa dos arte-educadores. Na proposta geral dos parâmetros curriculares, a arte tem uma função tão importante quanto a dos outros conhecimentos no processo de ensino e aprendizagem. A área de arte está relacionada com as demais áreas e tem suas especificidades.
Existem conteúdos mínimos que não podem ser desconsiderados no ensino da arte como: cor, textura, linha, ponto, forma, plano, materiais expressivos etc.. e com certeza a história da arte humana, pois conhecendo a arte de diversas culturas e tempos e confrontando-as, o aluno poderá compreender a relatividade de valores que estão enraizados nos seus modos de pensar e agir, podendo criar um campo de sentido para a valorização do que lhe é próprio e favorecer aberturas à riqueza e a diversidade da imaginação.
O fazer é reflexo do processo de aprendizagem e não pode ser esquecido. Tampouco as imagens podem ser desconsideradas no processo de ensinar e aprender arte. As manifestações artísticas são exemplos vivos da diversidade cultural dos povos e expressam riqueza criadora dos artistas de todos os tempos e lugares. Em contato com essas produções, os jovens podem exercitar suas capacidades cognitivas, sensitivas, afetivas e imaginativas, organizadas em torno da aprendizagem artística e estética. Ao mesmo tempo suas mãos e olhos adquirem habilidades, a audição e a palavra se aprimoram, enquanto desenvolve atividades nas quais relações interpessoais perpassam o convívio social. Muitos trabalhos de arte expressam questões humanas fundamentais: falam de problemas sociais e políticos, de relações humanas, de sonhos, de medos, perguntas, inquietações de artistas, documentam fatos históricos, manifestações culturais particulares e outras tantas questões.
É importante, ainda, que o estudo da arte não seja apenas linear, mas que propicie o processo de reversibilidade, que coloque o aluno dentro de uma linha de tempo imaginária onde se encontram abrigados os movimentos e períodos artísticos possibilitando-lhe fazer conexões com outras áreas de conhecimento como a literatura e a história.
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