Ao assistirmos o DVD “quem tem medo da arte contemporânea?” muitas questões surgem em relação ao que pensamos da arte contemporânea. Acredito que este é um tema repleto de possibilidades e também de dúvidas, de limites tênues, conceitos abertos, como podemos perceber pela listagem de palavras levantadas para o debate da semana aqui em nosso blog. Por mais que nos empenhemos em pesquisar e debater sobre essas palavras-proposições, não conseguiremos abarcar todo o universo de relações que podem ser construídas entre elas. Mas irei deter-me em especial em algumas delas: VIDA- PROCESSO-SEM FRONTEIRAS.
Escolhi este conjunto de palavras, pois a grande maioria das produções de arte contemporânea envolvem os conceitos que estão diretamente ligados à elas. Cada vez mais a arte está sem fronteiras em relação à vida, isso faz com que o processo seja fundamental para a constituição da obra, até mesmo ser a obra em si. Talvez essa falta de fronteiras, cada vez mais evidente entre arte e vida, seja um dos fatores que causam tanto estranhamento, e até medo, em relação à arte contemporânea. É difícil definir com precisão, mas esse imbricamento entre arte e vida é um processo que começou há um bom tempo dentro das proposições da arte, e desde o início causou muitos questionamentos. Podemos lembrar dos Ready-mades de Duchamp, passar pelas Brillo Box de Andy Warhol, e também as experiências sensoriais de Lygia Clark; os relatos de Leonilson, e podemos ainda incluir nessas propostas os objetos e mantos de Arthur Bispo do Rosário, sem contar os outros inúmeros artistas que nos colocaram diante de uma outra forma de olhar para a vida, como sendo um processo sem fronteiras. Uma vez que, todo artista, antes de ser um artista é um ser humano, que vive em constante movimento, um ser em processo.
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