


A curadoria educativa faz parte do trabalho do arte-educador. Sempre que escolhemos um acervo de imagens para trabalhar, em nossas classes de arte, estamos realizando uma curadoria educativa. A forma como organizamos essa curadoria depende dos nossos objetivos de trabalho, do que nós desejamos enfocar ou discutir, ou mesmo salientar para ser usado no momento de produção criativa, ou seja, o fio condutor.
Suponhamos que desejemos enfocar o papel da mulher na sociedade e ver como o mesmo foi tratado por diversos artistas no decorrer da história humana. Não é necessário que se desenvolva uma sequência histórica, podemos trabalhar com a sincronia ou mesmo com a acronia, fazendo com que os alunos consigam internalizar a idéia de linha de tempo e possam trabalhar com a reversibilidade, desenvolvendo a capacidade de fazer relações de vários tipos entre as obras apresentadas.
Como exemplo poderíamos apresentar a obra a Negra de Tarsila, Cadeira de Allen Jones, Puberdade de Edward Munch, Sonho de Picasso e uma fotografia da Sindy Shermann, que aparentemente nada tem de mais, mas que se analisada detidamente desvela uma atitude violenta ou agressiva. Quanto poderíamos extrair sobre cada artista, seu tempo, visão da figura feminina, contexto de vida, sentimentos, enfim muito se poderia encaminhar a partir dessa curadoria, pois ....fruir uma obra como forma sensível quer dizer reagir aos estímulos físicos do objeto, e reagir não apenas através de um acordo de ordem intelectual, mas através de um conjunto de movimentos cinestésicos, com uma série de respostas emocionais, de maneira que a fruição do objeto, ao complicar-se com todas estas respostas, não assuma nunca a exatidão unívoca da compreensão intelectual de um referente inívoco, e a interpretação da obra se torne por si mesma pessoal, posicionada, mutável e aberta.
"Umberto Eco"
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